TC Brasil – Brasil compartilha experiência de auditoria na ONU em conferência na Indonésia

O Tribunal de Contas da União (TCU) participou da Conferência de Familiarização dos Auditores da Instituição Superior de Controle da Indonésia representando o Conselho de Auditores da Organização das Nações Unidas (Board of Auditors – BoA). O evento foi realizado entre 23 e 27 de abril de 2026, na Indonésia, e reuniu auditores, dirigentes e gestores de diversas entidades das Nações Unidas. Pelo TCU, participaram os diretores de Auditoria Externa do Brasil no Conselho, Maurício de Albuquerque Wanderley e Ana Paula Sampaio.

O objetivo da conferência foi capacitar os auditores da Instituição Superior de Controle da Indonésia para o ingresso do país no Conselho de Auditores da ONU, que ocorrerá a partir de 1º de julho deste ano, quando a Indonésia assumirá o posto atualmente ocupado pela China. A programação contou com apresentação do funcionamento do Conselho, de seus processos decisórios e de auditoria, bem como do ambiente institucional e da governança das entidades das Nações Unidas a serem auditadas.

A Indonésia é o primeiro país a adotar o Guia para Transição de Mandato elaborado pelo Conselho de Auditores da ONU, documento construído a partir da experiência brasileira, reconhecida internacionalmente pela condução de uma transição de mandato exemplar, realizada em parceria com o Chile. Seguindo os mesmos passos do Brasil, a Indonésia promoveu treinamentos semelhantes aos que foram realizados pelos auditores brasileiros, que se prepararam durante mais de um ano para assumir o trabalho.

Durante a conferência, os auditores Ana Paula Sampaio e Maurício de Albuquerque Wanderley conduziram quatro apresentações centrais previstas no programa. Wanderley expôs a abordagem adotada pelo Conselho de Auditores da ONU no portfólio sob responsabilidade do Brasil, compartilhando a experiência prática brasileira na realização de auditorias no âmbito do sistema das Nações Unidas.

Eles também participaram da sessão dedicada aos principais achados de auditoria e às áreas de foco futuro, e abordaram temas relacionados à harmonização dos relatórios do Conselho e à preparação do relatório anual sobre as operações de manutenção da paz.

Maurício de Albuquerque Wanderley participou ainda, ao lado dos diretores de Auditoria Externa da França, Richard Bellin, e da China, Ge Sheng, de sessões de perguntas e respostas. As atividades promoveram intercâmbio direto com auditores indonésios sobre estratégias de auditoria, priorização de riscos e coordenação dos trabalhos no âmbito colegiado do Conselho de Auditores da ONU.

O programa incluiu ainda apresentações de altos gestores e representantes de departamentos, fundos, programas e missões da ONU, entre eles áreas responsáveis por apoio operacional, tecnologia da informação, gestão financeira, estratégias de governança, supervisão interna e operações de paz. Foram abordados temas como governança e prestação de contas do Secretariado da ONU, processos de elaboração dos relatórios do BoA, desafios da gestão financeira, implementação de normas contábeis internacionais (IPSAS) e riscos enfrentados por missões e programas das Nações Unidas.

Participaram do treinamento mais de 100 auditores da Instituição Superior de Controle da Indonésia, que participaram ativamente ao longo de todas as sessões.

A conferência reforça o protagonismo do Brasil e do TCU no cenário internacional, e a contribuição brasileira para o fortalecimento das Instituições Superiores de Controle e o aperfeiçoamento da governança e da auditoria externa independente no âmbito das Nações Unidas.

Conselho de Auditores da ONU

Em julho de 2024, o Brasil, representado pelo TCU, assumiu mandato no Conselho de Auditores da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao lado das instituições superiores de controle (ISC) da França e da China, a Corte de Contas brasileira realiza auditoria externa das finanças do organismo internacional, de seus fundos, programas e missões de paz. O trabalho também inclui a emissão de recomendações para aprimorar a governança e a gestão dos recursos.

Além do Unicef, o Brasil audita os seguintes organismos da ONU: Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar), Universidade das Nações Unidas (UNU), Fundo de Pensão Conjunto dos Funcionários das Nações Unidas (UNJSPF), Escritório das Nações Unidas em Viena (UNOV), Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Mecanismo Internacional Residual para Tribunais Penais (IRMCT) e missões de paz no Líbano (UNIFIL), em Chipre (UNFICYP) e no Kosovo (UNMIK).

Fonte: Tribunal de Contas da União