A equipe de profissionais brasileiros do projeto AuditaONU realizou auditoria na gestão de Recursos Humanos da ONU Mulheres, no final de 2025. O trabalho buscou avaliar a eficácia e a eficiência dos processos de recrutamento, seleção, retenção, treinamento, desenvolvimento e gestão de desempenho da entidade. Além disso, foi verificada a aderência às políticas institucionais e a capacidade da organização de garantir a contratação oportuna e a retenção de profissionais qualificados.
A relevância do tema é expressiva. Em 2024, os gastos com pessoal representaram 49,5% das despesas totais da organização. O cenário torna-se ainda mais sensível diante da queda de 15,9% nas receitas, o que pode comprometer a sustentabilidade financeira.
As fragilidades nos processos de recrutamento e avaliação de desempenho, especialmente em escritórios locais, são consideradas riscos já identificados em auditorias anteriores, tanto por instâncias do sistema ONU quanto pelo controle interno. Esses fatores podem provocar atrasos na execução de programas e, em alguns casos, contribuir para a suspensão de repasses por doadores, como observado ao longo de 2024.
O trabalho foi estruturado em quatro frentes principais:
A auditoria contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas na análise e sistematização de documentos, além de painéis internos que consolidaram recomendações anteriores da ONU.
Abordagem colaborativa
Um dos diferenciais do trabalho foi a abordagem adotada pela equipe. Em vez de um modelo exclusivamente formal, a auditoria foi conduzida com base no diálogo e na construção conjunta de soluções, utilizando o modelo adotado pelo Conselho de Auditores da ONU. As recomendações foram discutidas com os gestores da ONU Mulheres e ajustadas à realidade institucional, o que tende a aumentar significativamente as chances de implementação.
O contexto institucional também impôs desafios adicionais. A auditoria ocorreu durante o processo de reestruturação global da organização, conhecido como Pivot to the Field, que prevê a redistribuição de funções estratégicas para Bonn (Alemanha) e Nairóbi (Quênia). Diante desse cenário, a equipe precisou aliar rigor técnico à sensibilidade para compreender as limitações e transformações em curso.
Sobre a ONU Mulheres
A ONU Mulheres é a entidade das Nações Unidas dedicada à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento de mulheres e meninas em todo o mundo. Criada para acelerar o progresso nessa agenda, a organização atua no apoio a governos e instituições na formulação de políticas públicas, no fortalecimento de capacidades institucionais e na implementação de programas voltados à redução das desigualdades.
A auditoria foi conduzida pelas auditoras do TCU Cláudia Gonçalves Mancebo, secretária-adjunta da Secretaria Especializada em Gestão de Pessoas; Carolina Oliveira da Silva, da Secretaria de Controle Externo da Organização das Nações Unidas; Helena Magalhães Mian, diretora de Fiscalização e Planejamento na Auditoria de Operações Elétricas; e pela assessora Milena de Oliveira Marchão, também integrante da corte de contas brasileira.
O trabalho também contou com o apoio da equipe da SecexONU, liderada por Camila Rita Fernandes Borges, coordenadora das auditorias financeiras na ONU Mulheres, e supervisionado por Lucas Oliveira Gomes Ferreira, supervisor responsável pela fiscalização das operações financeiras relacionadas.
Conselho de Auditores da ONU
Em julho de 2024, o Brasil, representado pelo TCU, assumiu mandato no Conselho de Auditores da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao lado das instituições superiores de controle (ISC) da França e da China, a Corte de Contas brasileira realiza auditoria externa das finanças do organismo internacional, de seus fundos, programas e missões de paz. O trabalho também inclui a emissão de recomendações para aprimorar a governança e a gestão dos recursos.
Além do Unicef, o Brasil audita os seguintes organismos da ONU: Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar), Universidade das Nações Unidas (UNU), Fundo de Pensão Conjunto dos Funcionários das Nações Unidas (UNJSPF), Escritório das Nações Unidas em Viena (UNOV), Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Mecanismo Internacional Residual para Tribunais Penais (IRMCT) e missões de paz no Líbano (UNIFIL), em Chipre (UNFICYP) e no Kosovo (UNMIK).
Fonte: Tribunal de Contas da União